Casos de Estudo
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Diário ABC

“Nós temos tido um ambiente de sistema editorial único como estratégia de integração, o que também nos permite dispor de uma solução aberta para o desenvolvimento de novas linhas de negócio, anteriormente inviáveis”.

O ABC, PRENSA ESPANHOLA é o cabeçalho de âmbito nacional de maior tradição no panorama jornalístico espanhol. Fundado a 1 de janeiro de 1903, detém um património de ativos editoriais inigualável para a compreensão da história da Espanha do século XX. Porém, essa longevidade não é obstáculo à sua capacidade de regeneração. Sempre soube ir-se adaptando à mudança que os novos tempos traziam, e a vaga da era digital tampouco constituiu exceção. O Grupo VOCENTO, seu atual proprietário, é provavelmente o maior grupo de imprensa em Espanha, com cabeçalhos que lideram as bancas por todo o país, tendo conseguido colocar este secular diário na linha da vanguarda tecnológica.

Ángel Luis Ramírez, Diretor de Infraestruturas e Aplicações de Negócio, esclarece como se processou tal transformação tecnológica.

ABC O ABC tem a estrutura redatorial inerente a um grande diário de difusão nacional, com redações em Madrid e Sevilha, e Delegações em Valência, Catalunha, Castilla-La Mancha, Castilla-León, Aragão, Canárias e Galiza. A análise realizada pelos responsáveis concluía a clara necessidade de encarar uma mudança tecnológica abrangente:

A rápida evolução das novas tecnologias e dos perfis dos consumidores obrigavam a que se empreendessem mudanças significativas na cadeia produtiva e nos sistemas de suporte associados, para se adquirir a capacidade de desenvolver novos produtos/serviços informativos, gerindo-os com eficácia a fim de não se perder audiência nem, definitivamente, custo de oportunidade.

O novo sistema editorial deve servir como uma alavanca para transformar a cultura corporativa.

Não era suficiente adaptar os sistemas internos já existentes, através da integração de aplicações concretas que cobrem necessidades específicas e respondem a novidades pontuais do mercado.

Assim sendo, a implantação de um novo sistema editorial não podia confinar-se ao âmbito de uma mera mudança de ferramenta editorial, devendo, sim, constituir uma mudança absoluta na forma de operar e produzir na organização.

O objetivo principal do projeto era o ABC passar a dispor dos recursos necessários para se tornar uma das empresas tecnologicamente mais vanguardistas do setor editorial. Os resultados do projeto deviam proporcionar as soluções para a gestão centralizada dos processos produtivos de extremo a extremo. Procurava-se a excelência na otimização de produtos, desenvolvimentos tecnológicos e organização interna dos processos de edição, para aumentar o nível de competitividade, qualidade e audiência.

Para tal, foram fixados 4 eixos principais de atuação:

Conseguir que a redação tivesse autonomia e agilidade para criar, desenhar e pôr em página os conteúdos.

Colocar à sua disposição serviços transversais operativos e técnicos, para conseguir maior eficácia e operatividade.

Dotar o fundo documental dos recursos adequados a uma redação multimédia. Preparar o sistema para a catalogação automática e a futura exploração comercial do fundo.

Integrar as redações externas para atingir a unificação de fluxos de trabalho e favorecer a gestão multicanal e publicação de conteúdos multiformato.

Foi essencial a criação de uma equipa de trabalho multidisciplinar composta por engenheiros de sistemas da Protecmedia e da Vocento, bem como de jornalistas e responsáveis de todas as áreas implicadas no processo de elaboração e produção de conteúdos (publicidade, pré-impressão, desenho, fotografia, arquivo...).

Foi realizada uma exaustiva análise/revisão de todo o processo produtivo do princípio ao fim, para fixar situação de partida, localizar estrangulamento e definir novos requisitos. Esta análise conduziu às ações seguintes:

Redefinir, na íntegra, o processo de produção a nível de receção de conteúdos, gestão de publicações, produção gráfica e de publicidade, distribuição de conteúdos digitais e envio para o arquivo-fundo documental.

A amigabilidade da ferramenta de edição facilitou esta mudança à redação, permitindo centrar todos os esforços na gestão dos planos e do processo produtivo (supervisão e controlo dos fechos e páginas de mudança).

Estabelecimento de um Plano de Implantação que incluía a preparação dos ambientes de produção, a capacitação dos departamentos implicados, a realização de provas de rendimento-carga, e a estratégia de entrada em funcionamento dos diferentes produtos editoriais.

Planificar a realização das diversas tarefas e respetivo método de seguimento.

A entrada em funcionamento simultânea das soluções MILENIUM e QUAY.

Ángel Luis Ramírez sintetiza-os: “O desenvolvimento deste projeto proporciona características de agilidade, versatilidade, gestão de novos conteúdos multimédia e uma menor dependência da área técnica. Todo isto de forma compatível com um ambiente de sistema editorial único como estratégia de integração, o que também nos permite dispor de uma solução aberta para o desenvolvimento de novas linhas de negócio, anteriormente inviáveis”.

O processo editorial permite o controlo da produção de uma ponta à outra. A redação goza de total autonomia para desenvolver os seus produtos, tendo-se também melhorado substancialmente todos os processos operativos e eliminados os estrangulamentos que ocorriam na gestão da utilização e processamento do material gráfico e de publicidade.

Integração automática de anúncios nas publicações, com controlos e verificações.

Autonomia de desenho e Maquetagem sem intervenção da área técnica.

Planificação editorial e visão global do estado das publicações num só ambiente.

Conhecimento, por parte de responsáveis e intervenientes, de aspetos relacionados com origem de fontes, validação de trabalhos, fatores económicos e legais, controlo, segurança...

Foram melhoradas a apresentação dos conteúdos e a qualidade de reprodução. Esta última foi consideravelmente alargada graças à integração de um fluxo de produção normalizado em PDF, e de um fluxo de processamento automático de fotografias.

Centralização de entrada de conteúdos gráficos e adaptação automática ao meio em que serão publicados.

A integração das redações digital e de papel, do ponto de vista organizativo, já é uma realidade, partilhando o fundo documental para a produção de conteúdos off-line e on-line.

A eliminação dos estrangulamentos proporcionou uma nova distribuição do trabalho e, sobretudo, uma melhoria nos fechos, que se efetuam, agora, exclusivamente, em função dos conteúdos e não de aspetos técnicos.

Melhoria do “Time to Market”. Redução de 1/3 do tempo desde que a publicação é “pensada” até ser disponibilizada.

Homogeneização do processo de definição de edições e desenhos. Eliminação de perfis profissionais especializados para jornal e suplementos.

No que diz respeito ao fundo documental (textos, fotos e páginas), o salto tecnológico foi espetacular. Sob o mesmo arquivo, convivem os conteúdos de atualidade com os conteúdos históricos. O acesso às fontes de informação ficou extraordinariamente facilitado e o sistema foi dotado de ferramentas que permitem estabelecer workflows, trabalho colaborativo e a utilização dos conteúdos para outros fins, designadamente a possibilidade da exploração comercial do fundo documental.

Fundo Documental (1903 a 2013): 15 milhões de documentos, 3 milhões de fotos, 5,5 milhões de artigos, 6 milhões de páginas.